O diabetes pode levar a uma série de alterações no pé e tornozelo. A prevenção das lesões é obviamente o melhor tratamento, visando evitar as complicações graves que podem levar inclusive à amputações.

São fatores que podem prevenir lesões:

  • Controle glicêmico adequado: é o mais importante.
  • Uso de calçados anatômicos.
  • Uso de meias de algodão branca, sem costura.
  • Inspeção diária da sola dos pés.
  • Cortar unha “quadrada“ e não redonda, visando prevenir ferimentos nos cantos.
  • Avaliação semestral com ortopedista, e precocemente se surgirem calos (o calo pode ser o primeiro sinal de uma úlcera).

Neuropatia diabética:

Com o passar dos anos, o diabetes mal controlado vai começar a causar lesões irreversíveis em alguns órgãos, como rins, vasos sanguíneos, retina e nos nervos periféricos.

Nos pés, os nervos sensitivos são afetados, e isto vai levar inicialmente a dores inespecíficas, mal localizadas, com sensação de formigamento. Com o passar do tempo estes sintomas melhoram, mas o paciente começa a ter diminuição da sensibilidade. E esta diminuição de sensibilidade pode levar ao aparecimento de feridas e úlceras, pois o paciente não sente dor em situações como usar calçados apertados, pisar em objetos perfurantes, etc.  Isto vai levar a uma maior chance de surgir um ferimento, que pode ter dificuldade para cicatrizar e transformar-se numa infecção ou úlcera.

Dificuldade de cicatrização:

A cicatrização da pele e a consolidação óssea são prejudicadas no diabético. Isto ocorre pelo dano que a hiperglicemia crônica causa aos pequenos vasos sanguíneos, que são muito importantes para o processo biológico de reparação de tecidos.

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Artropatia de Charcot

Esta é uma das complicações mais graves do diabetes.

O metabolismo alterado do diabetes vai levar, em alguns casos, a uma fragilidade óssea extrema. Esta fragilidade vai levar a microfraturas múltiplas em alguns ossos do pé e/ou tornozelo.

Inicialmente, o paciente queixa-se de dor, vermelhidão e inchaço. São sintomas das microfraturas, mas são frequentemente confundidos com quadros infecciosos como celulite ou erisipela.

Ao continuar andando sem proteção, pode haver um “desabamento“ da arquitetura óssea do pé e destruição articular importante. É o “pé em mata borrão“, deformidade complexa caracterizada pela inversão do arco do pé.

A consequência é uma distribuição de cargas alterada na sola do pé, favorecendo o aparecimento de feridas e úlceras.

O Charcot pode aparecer após traumas, cirurgias ou espontaneamente.

Pé de Charcot ou “pé em mata borrão“: inversão do arco plantar