A fasceite plantar, popularmente conhecida como esporão do calcâneo, é um processo degenerativo da fáscia plantar.

fasceite plantar

fasceite plantar

Esta é uma estrutura da planta do pé, que se origina no osso calcâneo e tem inserção na base dos dedos do pé. Sua função é auxiliar na manutenção do arco do pé.

Quando a fáscia esta sobrecarregada, surge um processo inflamatório crônico que evolui para degeneração das fibras da fáscia plantar: ela torna-se espessada, menos elástica, e podem surgir áreas de ruptura e calcificações. As calcificações, quando localizadas próximas ao osso calcâneo, nos dão a impressão de que há uma ponta de osso na região, e daí vem seu nome popular: esporão do calcâneo.

Curiosamente, hoje se sabe que o esporão na verdade não dói. O que causa dor é o processo degenerativo da fáscia.  Chegou-se a esta conclusão a partir dos seguintes fatos:

  • Somente 50% (metade) dos pacientes com fasceite plantar tem esporão no RX.
  • É muito comum fazer um exame de RX por outros motivos e encontrar um esporão em um paciente sem queixas de dor na região plantar do calcâneo.
  • Há técnicas cirúrgicas que retiram parte da fásciaplantar e não retiram o esporão, e apresentam bons resultados. 
planta do pe

O diagnóstico da fasceite plantar é clínico, e é simples: dor na região plantar do calcâneo, principalmente nas primeiras pisadas do dia ou após permanecer um período sem carga. A dor tende a melhorar com o passar do dia. Geralmente há dor na palpação do local.

A fáscia também pode doer no arco do pé e próximo à sua inserção nos dedos, mas geralmente a dor é embaixo do calcâneo. Pode haver queixas associadas de dor no tendão de Aquiles e dor na panturrilha / câimbras noturnas.

Mas afinal, o que causa a fasceite plantar?

É uma doença multifatorial, mas podemos resumir na combinação ENVELHECIMENTO + SOBRECARGA + ENCURTAMENTO DE CADEIA POSTERIOR.

O envelhecimento dispensa maiores explicações, pois é perceptível a alteração na consistência e elasticidade dos tecidos humanos com o passar dos anos. Assim como ocorre na pele, a qualidade das proteínas (colágeno) que constituem a fáscia plantar vão decaindo e o resultado é um tecido com menor capacidade de suportar injúrias.

Já a sobrecarga pode ser causada por diversos agentes; detectou-se em estudos populacionais uma maior incidência de fasceite plantar em:

  • Corredores
  • Obesos
  • Trabalhadores que permanecem longas jornadas em pé
  • Uso frequente de calçados inadequados (sem amortecimento no calcanhar)

O último fator desta tríade, é também o mais importante: encurtamento de cadeia posterior.

Em primeiro lugar, uma breve explicação: a cadeia posterior é um conjunto de músculos, tendões e fáscias da região posterior do corpo. Tem início na coluna cervical, e segue em direção inferior pelos músculos paravertebrais, musculatura glútea, isquiotibiais (posterior da coxa), tríceps sural (panturrilha), tendão de Aquiles e a própria fáscia plantar.

No caso da fasceite plantar, o mais importante desta cadeia é o encurtamento da musculatura da panturrilha (“batata da perna“; músculo gastrocnêmio – os “gêmeos“). Quando este potente grupo muscular está encurtado, ele exerce uma força de tração intensa no tendão de Aquiles. O tendão, por sua fez, transmite esta força para o osso calcâneo e para a fáscia plantar, que é o elo fraco desta corrente e o local mais frequentemente acometido.

E este é o motivo pelo qual as primeiras pisadas do dia são mais doloridas: após algumas horas de sono, a musculatura da panturrilha está relaxada e encurtada. Ao esticá-la com todo o peso do corpo, a fáscia plantar dói mais.

E qual o tratamento?

Conhecendo os fatores causais, o tratamento é voltado para a realização de alongamentos da panturrilha, diariamente, por período que varia entre 6 semanas e 3 meses.

exercicios

O uso de calçados com amortecimento no calcanhar também é muito importante, pois vai diminuir a carga na região doente. Assim como reduzir o número de horas em pé por dia e evitar atividades físicas com impacto: corrida, tênis, futebol, vôlei, basquete, aulas de dança, entre outros. Atividades sem impacto são permitidas.

Com estas mudanças de hábito e com os alongamentos, 80% dos pacientes vão ter um resultado satisfatório em aproximadamente 3 meses de tratamento.

Quando não há sucesso, há outras alternativas, como infiltração com corticoide, uso de órteses noturnas anti-equino do tornozelo e as novas terapias por ondas de choque.

Cerca de 5% dos pacientes (1 em cada 20) não vai melhorar, e caso a dor seja intensa de dure mais que 6 meses, está indicado o tratamento cirúrgico.