Com o aumento da prática esportiva, estas lesões estão cada vez mais frequentes na prática clínica.

Entorse do tornozelo:

A lesão mais frequente no futebol é o entorse do tornozelo. Em outros esportes como vôlei, basquete e tênis, estas lesões também são muito comuns, chegando a corresponder a 20% do total de lesões destes atletas.

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Esportes com grande quantidade de impacto, como corrida e aulas de dança e ginástica (exemplo: Zumba, Jump, Step) também vão levar a um aumento da incidência de lesões no pé e tornozelo.

São exemplos de lesões decorrentes de sobrecarga / impacto:

Há algumas maneiras de prevenir estas lesões. Para realizar atividades físicas com impacto, é muito importante o tênis adequado calçados e palmilhas . Este deve ter sistema de amortecimento de boa qualidade e corrigir a pisada se houver necessidade tipos de pisada.

Realizar alongamentos diários também é muito importante. E o grupo muscular mais importante é o tríceps sural, composto pelos músculos gastrocnêmio e sóleo. Estes encontram-se na panturrilha, e dão origem ao tendão de Aquiles. Então, manter um bom alongamento de panturrilha é fundamental para prevenção das doenças do tendão de Aquiles e da fáscia plantar.

A frequência de treinos também é um aspecto importante. Obviamente a resistência individual é variável, e há maratonistas que não vão ter dor e atletas amadores que vão ter lesões mesmo com cargas baixas de treino. Por isso, a atividade deve ser praticada de maneira gradual, e se possível alternar atividades de impacto com atividades sem impacto (bicicleta, natação, musculação).

A musculação é muito importante para os corredores. Fortalecer os grandes músculos dos membros inferiores vai gerar uma melhor performance e gerar mais estabilidade para as articulações, pois assim como os ligamentos, o sistema músculo-tendíneo tem papel estabilizador nas articulações como joelho e tornozelo (são chamados de estabilizadores dinâmicos ou secundários).

Outra dica para os corredores é o tipo de piso. Correr no asfalto e no cimento gera mais impacto do que correr na esteira, na grama e no chão de terra.

Fratura por stress

A fratura por stress, ou fratura por fadiga, é um tipo de fratura que ocorre quando há uma sobrecarga óssea de intensidade suficiente para que o organismo não consiga repor todas as células e cálcio perdidos na atividade. Em termos técnicos, dizemos que “a atividade osteoclástica é maior que a atividade osteoblástica“.

Fratura por stress na tíbia: pequeno traço de fratura que não aparece no RX

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Este desbalanço vai levar a uma fragilidade óssea, e caso a atividade continue a ser praticada o resultado é o aparecimento de uma linha de fratura no osso, com sintomas de dor e inchaço.

Inicialmente não há alterações no RX, e o diagnóstico precoce pode ser feito por exame de ressonância magnética.

Os ossos mais acometidos nos pés e tornozelo são: metatarsos, sesamóides, calcâneo, tálus, maléolo lateral da fíbula e maléolo medial da tíbia.

O tratamento varia com a gravidade da lesão, e na maioria das vezes é realizado com o uso analgésicos e bota tipo Robofoot para andar por algumas semanas, seguido de modificações na atividade física que causou a lesão.

A fratura por stress não ocorre somente em atletas. Quando ocorre em pessoas que não praticam esportes, deve ser pesquisada a deficiência de vitamina D, muito frequente no sul do Brasil.

Periostite (“canelite“).

Muito comum em corredores e em praticantes de outras atividades esportivas com impacto. Trata-se de um processo inflamatório do periósteo da tíbia.

O periósteo é um tecido denso, fibroso, que envolve o osso (tíbia) e serve de inserção para os músculos da perna, principalmente o músculo sóleo.

A combinação de impacto + excesso de tração muscular leva a um processo inflamatório doloroso, normalmente bilateral, na região póstero-medial (interna) da perna.

O tratamento inclui mudança de atividades, correção de possíveis erros de treino, avaliação da pisada e alongamento e fortalecimento de determinados grupos musculares da perna.