O tendão de Aquiles ou tendão calcâneo é o tendão mais forte do corpo.

Localizado na parte posterior do tornozelo, é a “corda“ que liga o grupo muscular da panturrilha (gastrocnêmio e sóleo) ao osso calcâneo. Desta maneira, é responsável pela flexão plantar do tornozelo (movimento de acelerar o carro, ficar na ponta do pé).

Com frequência o tendão torna-se doente, e em alguns casos chega a romper-se com pequenos esforços.

Tendinopatias do Aquiles

O tendão pode ficar doente e ser fonte de dor no próprio corpo do tendão ou em sua inserção no calcâneo, doença conhecida como entesite do Aquiles.

A causa da doença do tendão é multifatorial, e a principal causa é uma sobrecarga crônica (atividades de impacto, alterações da pisada ou da marcha, calçados inadequados, obesidade) que leva a um processo degenerativo. O tendão torna-se mais espesso, duro, doloroso e fraco, podendo romper-se com pequenos traumas ou esforços.

O tratamento inicial é conservador, com medicações, mudança de atividades,  mudança de calçados e principalmente exercícios de alongamento e fortalecimento das panturrilhas (grupo muscular que dá origem ao tendão). Desta maneira, há uma diminuição da sobrecarga e o tendão pode voltar a ser saudável e indolor.

Porém, as taxas de sucesso do tratamento conservador são inferiores a 70%, e diminuem muito quando a doença já tem mais que 6 meses de evolução. Neste caso, o tratamento cirúrgico irá trazer resultados mais consistentes a médio e longo prazo.

Ruptura do tendão de Aquiles

A ruptura do tendão é a consequência final da tendinopatia. O tendão doente tem menos resistência e menos elasticidade. Ao sofrer uma força de tração intensa, como subir um degrau ou iniciar uma corrida (“dar um pique“), pode haver ruptura parcial ou total de suas fibras.

O quadro é bem clássico: dor aguda + sensação de sofrer uma pedrada na parte posterior do tornozelo. A marcha torna-se mais difícil e pode aparecer um defeito palpável na topografia do tendão.

O diagnóstico é clinico, podendo ser confirmado por exame de ultra-som.

Há dois tipos de tratamento: conservador e cirúrgico.

O tratamento conservador consiste em imobilizar o tornozelo em posição fletida (em equino) por 6 semanas. O tratamento cirúrgico consiste em fazer uma tenorrafia: suturar os cotos do tendão para garantir uma cicatrização adequada.

Veja as principais diferenças entre os tratamentos:

  Conservador Cirúrgico
Tempo de recuperação Entre 3 a 6 meses Entre 3 e 6 meses
Vantagens Menos invasivo Menos perda de força da panturrilha; chance de re-ruptura baixa (menor que 3%)
Desvantagens Mais chance de perda de força da panturrilha; chance de re-ruptura 10 vezes maior que o tratamento cirúrgico Riscos cirúrgicos gerais (riscos baixos, pois trata-se de cirurgia de pequeno/médio porte)

Sendo assim, como os riscos cirúrgicos são baixos e o tempo de recuperação é o mesmo, em pacientes jovens, saudáveis, ativos, deve-se preferir o tratamento cirúrgico.

O tratamento conservador deve ser reservado para pacientes mais idosos, com baixa demanda ou comorbidades importantes.

A principal complicação desta lesão é a perda de força da panturrilha. Isto gera uma alteração da marcha e redução na capacidade de fazer esportes. Em um estudo realizado nos EUA, verificou-se que 50% dos atletas da NBA não retornam ao esporte profissional após romper o tendão de Aquiles. Dentre os que voltam a jogar, metade disputa apenas mais uma temporada. Ou seja: após romper o tendão aquileo, até 75% dos atletas encerram a carreira ou jogam no máximo mais uma temporada.

O tempo total de recuperação pode chegar a 12 meses, e o tratamento fisioterápico adequado é fundamental para o resultado final.